I Bienal de Artes Visuais do Mercosul
02 de Outubro a 30 de Novembro de 1997
Porto Alegre - RS - Brasil
EDITORIAL
  • INTERVENÇÕES EFÊMERAS
  • IMAGINÁRIO OBJETUAL


  •   EDITORIAL

    OS ARTISTAS ALTERAM O VISUAL 
    E O ESTADO DE ESPÍRITO DA CIDADE !

    > Os artistas que participam desta I Bienal do Mercosul, estão realizando mudanças no rítmo e no visual da cidade de Porto Alegre. Suas obras, e "intervenções" supreendentes, chamam atenção para detalhes e particularidades nunca antes percebidas ou valorizadas pela população.

    > A arte é um "estado de espírito" contagiante. E sua apreciação e provoca efeitos "intangíveis", como a mudança da "freqüência" mental do apreciador e a expansão da percepção do indivíduo. Ninguém é imune à arte, às formas, à beleza e estes benefícios e significados, independente do que o autor quer expressar. Cada pessoa vê, sente ou se posiciona diante da mesma, como lhe aprouver. E, nisto reside o fascínio e o mistério da arte.

    > Aparentemente pacífico, o artista é um ser provocante, rebelde, revolucionário, inquieto e inquietante. Ele nos oferece uma visão sem limites, uma "janela" ("link" sem "frame") que não podemos (e não desejamos) voltar ou fechar...

    Embarque nesta "viagem" e veja, agora, 
    Porto Alegre, mais alegre e mais bela!





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    >> Jornalista Joyce Larronda - Reg. Prof.: 5349-RS/BR
    >> Editora do Jornal Eletrônico do Mercosul
    >> Arte Gráfica: André L. Raimann
    >> Fone/Fax:(+55 51) 582-8863
    >> e-mail: larronda@zaz.com.br
    >> Internet: http://www.jornalartelatina.com.br
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      INTERVENÇÕES EFÊMERAS
     
     

    QUEM E O QUE É O ARTISTA?

    > Não só de obras ?prontas? é feita a I Bienal do Mercosul. Nesta mostra, de contexto gigantesco, também se incluem artistas que vieram para Porto Alegre literalmente ?fazer arte?, criar... 

    > O programa incluiu Intervenções Efêmeras, que se constituem numa relação plástica entre as obras dos artistas e os lugares característicos (atrações turísticas) da cidade, com o objetivo de criar situações surpreendentes, que visam envolver as pessoas, inadvertidamente ou não.

    > Em alguns casos os trabalhos chamam atenção para o lado do humor. E outros para detalhes específicos da capital do Rio Grande do Sul, como sua arquitetura característica. 

    > As obras que resultam das ?intervenções? estão expostas em vários locais da cidade. Uma delas - situada no Largo Glênio Perez, diante da Prefeitura Municipal de Porto Alegre - chama-se ?Invervención? Contrato de Trabajo?? e foi idealizada pelos artistas plásticos uruguaios Eduardo Cardoso e Fernando Peirano. 
     
     
     
     
      ?INTERVENCIÓN / CONTRATO DE TRABAJO?" . > Todo trabalho deveria realizado por um profissional da construção civil, selecionado a partir de um anúncio de jornal de ?emprego temporário? (free-lancer). Um grande número de trabalhadores apresentou-se para ?ganhar um dinheiro-extra?, sem saber do que se tratava. 

    > Eduardo Cardoso e Fernando Peirano entrevistaram os candidatos (muitos tinham dificuldade de entender ?estranha proposta?) e selecionaram o pedreiro Máximo Vieira Souza.

    > Conforme os autores da obra/idéia, o próprio anúncio, convocando candidatos, a entrevista de seleção, tudo isto, faz parte da obra. O objetivo, é deixar no ar questões como: ?Quem e o que é o artista?? . Por este enfoque inédito, casual, a categoria de obras ?Efêmeras? é a mais polêmica da I Bienal de Arte Visuais do Rio Grande do Sul. 

    > Máximo (o improvisado artista) dispunha de 3000 tijolos e bastante argamassa para desenvolver uma obra, ?como ele desejasse, ou imaginasse?. Da imaginação do pedreiro surgiram: uma grande cuia, um banco e um cercado, tudo projetado e construído, por ele, numa área disponível de 8 x 8 metros. 

    A ARTE NÃO SE RENDE AO DINHEIRO. > O contrato assinado com o presidente da I Bienal, Justo Werlang, determinava que Máximo receberia R$ 0,15 (aproximadamente US$ 0,15) por tijolo utilizado. Do total de tijolos, o pedreiro usou quase a metade. O pedreiro justifica:  "Não me procupei em colocar uma maior quantidade de tijolos para ganhar mais dinheiro. Eu queria fazer algo bonito?. 

    SEU LEGADO. > Tijolos e muita argamassa , ?para ficar bem firme e não cair na cabeça das pessoas? - segundo ele - deram forma a uma ?cuia de chimarrão?, porque é o símbolo da cultura ?gaúcha? e eu queria homenagear nosso Estado (Rio Grande do Sul, Brasil). 

    > Máximo inspirou-se na figura do ?Gaúcho?, com sua tradicional ?cuia-de-chimarrão?. A ?cuia?, é um recipiente feito de um ?porongo? (vegetal) onde o ?gaúcho? prepara e bebe, junto à fogueira, uma espécie de chá amargo de ?erva-de-chimarrão?, bebida tradicional da região. 

    > O ?gaúcho?, é homem do campo, natural do Rio Grande do Sul (BR), que cuida do gado e usa cavalos como montaria. Figura correspondente ao ?cowboy? norte-americano. A palavra ?gaúcho? tem sua origem no Latim: vem da palavra ?gáudio?, que significa alegria. 

    UM DIA DE GLÓRIA, PARA UM HOMEM COMUM. > Os artistas plásticos Eduardo Cardoso e Fernando Peirano, foram responsáveis pelo ?dia de glória? de Máximo Vieria Souza, retirando do anonimato um trabalhador humilde, casado, pai de quatro filhos. Páginas inteiras nos jornais e noticiário das televisões, registraram o trabalho do pedreiro, incentivado pela população que juntou ao seu redor. 

    > Amigos, clientes, colegas de escola de seus filhos, também foram ver o novo ?artista?. Sobre tudo isto, Máximo diz: ?Eu me sinto como um representante da classe operária que teve coragem de chegar num local público e realizar sua própria idéia!? 

    > Além de Cardoso e Peirano estes são os outros artistas plásticos que participam Intervenções Efêmeras: Afred Wenemoser (VE), Carlos Cruz-Diez (VE), Eduardo Cardozo (UR), Félix Toranzos (PY), Gaston Ugalde (BO), Gonzalo Mezza (CH), Graciela Sacco (AR), Mario Soro (CH), Ricardo Migliorisi (PY), Rimer Cardillo (UR), Sol Mateo (BO) e Osvaldo Salermo (PY).

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    >> Texto: Ana Paula Wolf 
    >> Fotos: Edson Vara (Divulgação - I Bienal do Mercosul)
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    UM ÔNIBUS, QUE É UMA OBRA DE ARTE

    > É como ?realidade virtual?, mas é real! O artista venezuelano Carlos Cruz-Diez brindou a cidade com uma obra de arte que circula regularmente pelas ruas, levando passageiros (sem armadilhas ou surpresas), em viagem tranqüila, aos seus destinos.

    > Simplesmente, ele transformou o um tradicional ônibus de linha substituindo as tradicionais cores (branco, ocre e amarelo) por azul, verde, laranja e preto, acrescentando listras no novo ?layout?. A viagem inagural teve entre os passageiros o Secretário de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Nelson Boeira , e o presidente da I Bienal do Mercosul, Justo Werlang.

    > O público recebeu com simpatia a idéia de ?viajar em uma obra de arte?. O ônibus da empresa Portoalegrense ?Carris?, está circulando alternadamente em dois percursos (linhas T5 e T2), para dar oportunidade a mais pessoas ?usufruirem deste prazer?.

    > Carlos Cruz-Diez vive há 37 anos em Paris e já havia feito projetos semelhantes para os transportes urbanos de Marselha (FR) e Caracas (VE). 
     
     
     
     



      IMAGINÁRIO OBJETUAL
     
     

    ARTISTAS TRANSFORMAM A CIDADE 

    > A I Bienal de Artes Visuais do Mercosul apresenta uma proposta de Arte, a ser apreciada a partir de uma perspectiva inovadora: o Imaginário Objetual. O desafio se constitui em abordar aspectos da cidade de Porto Alegre na visão dos artistas latino-americanos. 

    > Alguns artistas foram convidados a percorrer o centro de Porto Alegre para colher objetos existentes no ambiente urbano - que fazem parte do cotidiano e, no entanto, não são percebidas pelas pessoas - buscando novas idéias e inspirações: Fernando Limberger (BR), Fernando Luchesi (BR), Jorge Barrão (BR), Marcos Coelho Benjamin (BR), Marcos Chaves (BR), Mário Sagradini (UR), Monica Giron (AR), Patricio Farias (BR) e Sydia Reyes (VE). 

    > O Imáginário Objetual é uma espécie de ?releitura? da cidade, cujo resultado do trabalho não deve ser visto apenas como ?arte inusitada?. Isto porque, os artistas buscam provocar a mente do observador, expandindo-a e a ver as coisas de uma nova maneira. 

    > Os lugares selecionados para as pesquisas dos artistas foram os mais tradicionais e movimentados de Porto Alegre: o Cais do Porto, o Parque Marinha do Brasil, o Mercado Público e o DEPRC (ao lado da Usina do Gasômetro). Hoje, estes lugares abrigam estranhas e belas obras de arte ?transformista?.
     
     
     
     
     
     


     

    ARTE QUE REVELA O NOSSO ?LADO SOMBRA?

    ATENÇÃO PARA O QUE ?NÃO QUERÍAMOS? VER. > A diretriz do Imaginário Objetual é o intercâmbio cultural. São efetuados mudanças estéticas de objetos, espaços, e estas transformações não tem limites dentro das concepções que os artistas trazem, a partir do que pensam e do que resulta de seus próprios trabalhos. 

    JORGE BARRÃO: COMO TRATAMOS OS ANIMAIS? > Peças extremamente curiosas se encontram nas oficinas do Cais do Porto (DEPRC), como o trabalho do artista Jorge Barrão. Ele criou cercados preenchendo-os com um porquinho, cinco galinhas, um galo e uma cadelinha branca, que foi ?salva? do canil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tudo isto, para retratar ?o tratamento dado aos animais pela população portoalegrense?.

    SYDIA REYES: CRIANÇAS ABANDONADAS. > Sydia Reyes (Venezuela) optou por um velho túnel, enferrujado, colocando dentro dele um aparelho de televisão transmitindo imagens de meninos de rua da cidade. 

    MARCUS CHAVES: DESTACA NOSSA CULTURA. > O ?carioca? Marcus Chaves (Rio de Janeiro -BR), encheu velhas cabines de extintores de incêndio com vários objetos descartados pela população: um despertador que toca sem parar ao lado de um gato de pelúcia e a tradicional erva-mate, e objetos que representam a cultura ?gaúcha? do Rio Grande do Sul. MÁRIO SAGRADINI: TRANSFORMA O "LIXO EM LUXO". > Colagens de feno, cartazes de rua, lona, couro, pipoca, bonés de pedreiros e outras coisas mais, tudo colocados no chão, fazem parte da obra do uruguaio Mário Sagradini. 

    ?PEDAÇOS? DE PORTO ALEGRE. > Dezenas de, outros elementos tais como: fotos de habitués de vernissage, despachos (objetos utilizados em rituais esotéricos), barcos cheios de objetos, e muitos outros mais foram usados pelos artistas para expressar, em cada obra, ?pedaços? e particularidades de Porto Alegre.

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    >> Texto: Ana Paula Wolf 
    >> Fotos: Edson Vara 
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    Mário Sagradini(UR)


    - I Bienal de Artes Visuais do Mercosul - 1997 - EDIÇÃO 1 - I Bienal de Artes Visuais do Mercosul - 1997 - EDIÇÃO 2 da cobertura - I Bienal de Artes Visuais do Mercosul - 1997 - EDIÇÃO 3 da cobertura - I Bienal de Artes Visuais do Mercosul - 1997 - Obras de artistas Latinos - Arte do Mercosul, por Jacques Leenhardt - II Bienal de Artes Visuais do Mercosul em Porto Alegre - 2000