I Bienal de Artes Visuais do Mercosul
02 de Outubro a 30 de Novembro de 1997
Porto Alegre - RS - Brasil

ARTE LATINO-AMERICANA INAUGURA
SUA PRIMEIRA BIENAL


Justo Werlang, presidente da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul,
na cerimônia de abertura - realizada no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Aldo Malagoli (Margs) - personalidades do mundo da arte,
e o encontro do curador brasileiro, Frederico Morais, com o empresário Jorge Gerdau Johannpeter.
As imagens, do fotógrafo Edson Vara, registram
o início da unificação das artes plásticas do continente latino-americano.




  ARTE LATINO-AMERICANA É IMPREGNADA DE POLÍTICA 
    > Dificuldades de ordem social, econômica fazem parte do cotidiano da América Latina. O tempo todo falamos sobre inflação, recessão, desemprego, corrupção, violência, sem-terra, fome, deficiência na área da saúde, violência nas cidades, assassinato de índio.

    > Vítima de ditaduras históricas, o povo latino-americano jamais aceitou calar. Intelectuais e artistas fizeram do êxodo, a forma de chamar atenção do mundo para este lado do hemisfério. 

    > Artistas antes exilados, por questões políticas, registraram em linguagem internacional, a realidade latino-americana. E, mesmo quando, hoje a América Latina já desfruta da liberdade de expressão - através de regimes democráticos - a arte continua inspirando-se nas crises, instigando mudanças. 

    > ?O cotidiano da América Latina está contaminado pela política?, como diz o Curador Geral das Artes do Brasil, Frederico Morais. O continente Sulamericano tem suas características e até diferenças regionais. Mas, em toda sua área, predominam problemas que pedem soluções emergenciais. E, esta é a razão pela qual o artista latino-americano não pode abandonar o contexto político em favor de uma linguagem universal.

    VANGUARDA COLETIVA. > Artistas, como na política, atuam de forma coletiva, procurando protestar e enfrentar, seja questões políticas ou sociais. Na América Latina tivemos frentes como: ?Tucumán Arde? (Argentina), ?Escena Avanzada?, (Chile), ?Opinião? (Brasil), e outras.

    INFLUÊNCIA DO MURALISMO MEXICANO. > O ?Muralismo Mexicano? foi uma das primeiras manifestações políticas dos artistas latino-americanos, considerado ?uma extensão pictórica da revolução de 1910?. O Muralismo expressou outras questões, mas esta foi a mais significativa. 

    > Foi forte influência em toda América Latina, especialmente América Central e dos Andes: Guaya-samin, Sabogal, Nel Gomez. No Brasil, também teve seus seguidores: Portinari, Di Cavalcanti, Eugênio Sigaud. Na Argentina, vemos a inspiração do Muralismo Mexicano na obra de Antonio Berni. Da mesma forma, a arte norte-americana dos anos 30 foi influenciada.

    > Nas décadas de 60 / 70, a repressão política foi muito dura na maioria dos países do Cone Sul, com a maioria dos países estavam nas mãos de militares golpistas. Com o combate à liberdade de expressão, toda forma de comunicação era feita através metáforas, em linguagem cifrada. Também a arte fez uso de ?subterfúgios? na sua manifestação.

    NOVOS TEMPOS, NOVAS INSPIRAÇÕES. > Os tempos já são outros, e o autoritarismo comum a toda América Latina naquele período, deu lugar a outra realidade: livre, sem fronteiras, integracionista. A função social do artista continua, destacado as diferenças, as discrepâncias, as injustiças, os acidentes, os ?escombros? e os contrastes herdados. A perspectiva individual do artista apenas mostra o que temos que mudar, mas também realçando nossos valores, nossa cultura. A linguagem da arte é universal, mas traços, côres e formas imporão sempre a latinidade do artista. 


 
 


Antônio Henrique Amaral (BR)
 
 


João Câmara (BR)
 
 
 


Juan Domingo Dávila (CH)
 
 
 


Edgar Moreno(VE)
 
 
 


Cildo Meireles (BR)

    VERTENTE POLÍTICA. > Artistas que participam da I Bienal de Artes Visuais do Mercosul:
    Alberto Greco (AR)
    Alirio Rodriguez (VE)
    Antonio Berni (AR)
    Antonio Cucher (VE)
    Antônio Dias (BR)
    Antônio Henrique Amaral (BR)
    Antônio Manuel (BR)
    Antonio Moya (VE)
    Arturo Duclos (CH)
    Artur Barrio (BR)
    Carlos Altamirano (CH)
    Carlos Colombino (PY)
    Carlos Contramestre (VE)
    Carlos Hernández Guerra (VE)
    Carlos Zerpa (VE)
    Cildo Meireles (BR)
    Édgar Arandia (BO)
    Edgar Moreno (VE)
    Edgardo Vigo (AR)
    Escena de Avanzada (CH)
    Ernesto Deira (AR)
    Francisco Stockinger (BR)
    Gastón Ugalde (BO)
    Gonzalo Diaz (CH)
    Gracia Barrios (CH)
    Hélio Oiticica (BR)
Ignácio Soler (PY)
Jacobo Borges (VE)
João Câmara (BR)
Jorge de La Vega (AR)
Jorge Francisco Soto (UR)
José Antonio DÁvila (VE)
José Balmes (CH)
Juan Domingo Dávila (CH)
Leon Ferrari (AR)
Luis Camnitzer (UR)
Luis Felipe Noé (AR)
Marisol Escobar (VE)
Noemí Escandell (AR)
Nelson Garrido (VE)
Nelson Ramos (UR)
Oscar Bony (AR)
Osvaldo Salermo (PY)
Pablo Suarez (AR)
Regulo Pérez (VE)
Roberto Matta (CH)
Roberto Valcárcel (BO)
Romulo Macció (AR)
Rosangela Rennó (BR)
Rubens Gerchman (BR)
Siron Franco (BR)



  ARTE CONSTRUTIVA: ORDEM E OTIMISMO
    > A história da arte testemunha as emoções, as razões, as crises e as construções, que marcaram épocas e períodos pelos quais passou a humanidade. A arte é documento, é denúncia, é enaltecimento e, também, e sem dúvida, uma forma ?subversiva? de expressão. A arte evoluiu, significativamente, a partir de uma oposição às formas fechadas que caracterizaram o período do Renascimento e às formas abertas que caracterizam o Barroco.

    > As crises que afetaram e que afetam a humanidade também se manifestam na evolução as artes: os ?expressionistas? interpretaram, em suas pinturas, os conflitos políticos, sociais e existenciais, que surgiram como conseqüência da I Guerra Mundial.

    REAÇÃO ÀS CRISES. > Já os artistas ?concretos? e ?minimalistas?, optaram pela ordem, despojando toda uma retórica visual, optando por uma forma de expressão (seja em telas ou esculturas) a elementos básicos (linhas, cores, planos, volumes, etc). Muitas vezes utilizaram-se de fórmulas matemáticas, máquinas e recursos tecnológicos. Nesta etapa, então, o artista começa a desenvolver uma idéia de estrutura, de ordenação ?construtiva?.

    A ORDENAÇÃO DO CAOS. > Deste modo, devemos olhar o trabalho do artista que opta por manifestar sua perspectiva através da forma ?construtiva?, como um esforço de ordenação do caos. O artista construtivo tenta construir um mundo novo e, como tal, é fundalmentalmente otimista. Pode ser vista como utópica, porque ele não imita a existência: ele inventa de construir um mundo novo, claro, limpo, justo.

    ARTE CONSTRUTIVA E CONSTRUTIVISMO. > A arte construtiva é uma vertente artística, e não devemos confundí-la com o ?construtivismo?: este, foi um movimento surgido em Moscou, por volta de 1920 - data em que os irmãos Prevsner e Gabo, escultores publicaram um manifesto - e que reuniu artistas como El Lissitski, Tatlin e Rodchenko, entre outros.

    > O primeiro, na série ?Proun?, explorou as virtualidades e ambiguidades da geometria, buscando relações ópticas, pluridirescionais, sem transcendências, apenas exatas. O segundo, já inventou os contra-relevos, utilizando metais, plástico, vidros, madeira. São obras que mesclam pintura e escultura.

    O PROCESSO CRIADOR & DESIGN. > Max Bill, artista concreto e designer, diz que ?o processo criador da arte-concreta vai da imagem-idéia à imagem-objeto e, esta transformação, se dá através de uma lei de desenvolvimento que, devidamente estudada, pode resultar em um desenho, quadro, edifício ou produto industrial.

    A LINGUAGEM É UNIVERSAL, MAS O SENTIDO DIFERE. > Apesar de universal, em seu significado, a arte construtiva adquire sentidos diferentes nas produções européias, norte-americanas e latino-americanas. Por exemplo: podemos perceber estes diferenciais num confronto entre o Neoplasticismo de Mondrian e o Universalismo Construtivo de Torres Garcia ou ainda o Minimalismo norte-americano, com a geometria sensível (ou lírica) dos latino-americanos.

    > Uma história da arte construtiva teria que incluir estudos de movimentos, escolas, ou grupos como Construtivismo, Neoplasticismo, Arte Concreta, Neoconcretismo Construtivo e, ainda mais, seus desdobramentos tecnológicos: arte cibernética, arte por computador. 

    ARTE & CIÊNCIA

    TEORIA DO CAOS. > Na última década, físicos, biólogos, astrônomos e economistas criaram um novo enfoque da complexidade da natureza: a ciência do Caos, que permite identificarmos padrões (onde antes se observava a aleatoridade, imprevisibilidade, o caótico). Em resumo: descobriram que assim como o caos pode estar escondido atrás de uma fachada de ordem (esta buscada pelos artistas construtivos), também ?nas profundezas do caos está oculto um tipo de ordem, mais fantástico ainda?, segundo o físico Douglas Hofstadter.

    > Em linguagem mais simples, o caos é uma ciência do mundo cotidiano, formulando indagações que todas as crianças já fizeram: sobre a forma das nuvens, sobre da ascensão da fumaça, sobre a maneira pela qual a água forma vértices numa correnteza. Na arte, a sensibilidade, a indagação do artista nos surpreende com inesperadas descobertas, focalizando novas explorações.

    EFEITO BORBOLETA & FRACTAIS. > Quem não ouviu falar do ?efeito borboleta?, descoberta de Edward Lorenz, sobre a imprevisibilidade do tempo. Ele exemplica: ?o movimento das asas de uma borboleta, aqui, pode provocar um furacão no outro lado do hemisfério?. Mitchell Feigenbaum, foi estimulado pelas suas meditações sobre a arte e a natureza sobre uma constante, ou ordenação, universal. E, chegamos ao conceito dos fractais de Benoit Mandelbrot, que criou uma geometria da natureza, trabalho conhecido como as ?espirais de Mandelbrot?.

    > Verificamos que tanto o cientista quanto o artista, ambos com seus conflitos, emoções e frustrações, chegam aos seus momentos de revelações. Depois disto, quem poderá voltar a ver o mundo da mesma maneira?


 


Joaquin Torres-Garcia (UR)
 
 
 


Franz Weismann (BR)
 
 


Francisco Mato (UR)
 
 


Time
 
 


The Kiss
 
 


Spiral
 


Drop

    VERTENTE CONSTRUTIVA. > Artistas que participam da I Bienal de Artes Visuais do Mercosul:
      Abrahan Palatnik (BR)
    Alejandro Otero (VE)
    Alfredo Hlito (AR)
    Aluísio Carvão (BR)
    Amilcar de Castro (BR)
    Antonio Llorens (UR)
    Ascânio MMM (BR)
    Asdrúbal Colmenares (VE)
    Augusto Torres (UR)
    Carlos Cruz-Diez (VE)
    Carlos Fajardo (BR)
    Carmelo Arden Quin (UR)
    César Paternosto (AR)
    Enio Iommi (AR)
    Enrique Careaga (PY)
    Felipe Mujica (CH)
    Félix Torranzos (PY)
    Francisco Matto (UR)
    Francisco Salazar (VE)
    Franz Weissmann (BR)
    Gisela Waetge (BR)
    Gonzalo Fonseca (UR)
    Gyula Kosice (AR)
    Harry Abend (VE)
    Hélio Oiticica (BR)
    Horacio Torres (UR)
    Ione Saldanha (BR)
    Jesús Soto (VE)
    Joaquin Torres-García (UR)
      Jose Gurvich (UR)
    Juan N. Melé (AR)Judith Lauand (BR)
    Julio Alpuy (UR)Julio Le Parc (AR)
    Lucio Fontana (AR)
    Luisa Richter (VE)
    Luis Guevara Moreno (VE)
    Luis Sacilotto (BR)
    Lygia Clark (BR)
    Magdalena Fernández (VE)
    Manuel Pailós (UR)
    Manuel Quintana Castillo (VE)
    Marcel Floris (VE)
    Marcelo Bonevardi (AR)
    Maria Leontina (BR)
    Mateo Manaure (VE)
    Mercedes Pardo (VE)
    Narciso Debourg (VE)
    Omar Carreño (VE)
    Pablo Siquier (AR)
    Rafael Barrios (VE)
    Rod Rothfuss (UR)
    Raúl Lozza (AR)
    Sérgio Camargo (BR)
    Tomás Maldonado (AR)
    Ramon Vergara Grez (CH)
    Victor Varela (VE)
    Waldemar Cordeiro (BR)
    Willys de Castro (BR)
VERTENTE CARTOGRÁFICA: UMA REFLEXÃO
SOBRE A IDENTIDADE LATINO AMERICANA
    > A Vertente Cartográfica provoca uma reflexão, através das linguagens visuais como os artistas latino- americanos estão construindo as suas próprias identidades imagéticas. Ou seja: sobre a forma como processam a consciência do seu lugar e território. Os "artistas viajantes" são os que experimentam a história do seu país e criticam o ponto de vista eurpeu ao refazerem, por exemplo, uma expedição pela amazônia.

    > Na cartografia, encontramos mapas históricos do continente, narrativas de viagens, expedições e documentos arqueológicos. O mapa da América Latina está presente nas obras de artistas como Benedit, Guilhermo Kuitka e Ana Bella Geiger.

    > A curadora argentina, Irma Arestizábal, ao escrever sobre o tema cartografia, cita o mapa invertio de Torres Garcia, que serviu de matriz para uma série de obras de Nicolás Garcia Uriburu. A curadora salienta que para o artista, este "mapa mundi", invertido, significa "a forma que vemos o mundo desde nosso continente".

    > São tratados de geopolítica de onde se falta: do verde que domina; das "veias abertas da América Latina", fragmentadas; da necessidade em "perder o norte"; de ver o mundo desde o sl; da urgência em sermos solidários e unirmos, em um mesmo mapa, as bacias do Orinoco, o Amazonas e o Rio da Prata.

    > Na Vertente Cartográfica, também surgem imagens do continente através de pinturas, desenhos e objetos, de nomes como José Gamarra, Luis Felipe Noé, Carlos Vergara e Waltércio Caldas.


 


Ana Bella Geiger (BR)
 
 


Ana Bella Geiger (BR)
 
 


Joaquin Torres-Garcia (UR)

VERTENTE CARTOGRÁFICA. > Artistas participantes:
    Adriana Varejão (BR)
    Alfredo Jaar (CH) 
    Alfredo Sosa (VE) 
    Ana Bella Geiger (BR)
    Antonio Lazo (VE)
    Antonio Segui (AR)
    Carlos Capelan (UR)
    Carlos Vergara (BR)
    Francisco Hung (VE)
    Guilhermo Kuitca (AR)
    Ivens Machado (BR)
    Jacques Bedel (AR)
    Jorge Pizzani (VE)
    José Cláudio da Silva (BR)
    José Gamarra (UR)
    Karen Yaklut (PY)
    Luís Fernando Benedit (AR)



Luís Felipe Noé (AR)
Margot Romer (VE)
Miguel Angel Rios (AR)
Miguel Von Dangel (VE)
Milton Becerra (VE)
Monica Bengoa (CH)
Nicolas Uriburu (AR)
Pancho Quilici (VE)
Pedro Terán (VE)
Ricardo Benain (VE)
Ricardo Migliorisi (PY)
Sigfredo Chacon (VE)
Túlio Sagasbatizábal(AR)
Victor Grippo (AR)
Victor Hugo Irazabal (VE)
Waltércio Caldas (BR)


- I Bienal de Artes Visuais do Mercosul - 1997 - EDIÇÃO 1 - I Bienal de Artes Visuais do Mercosul - 1997 - EDIÇÃO 2 da cobertura - I Bienal de Artes Visuais do Mercosul - 1997 - EDIÇÃO 3 da cobertura - I Bienal de Artes Visuais do Mercosul - 1997 - Obras de artistas Latinos - Arte do Mercosul, por Jacques Leenhardt - II Bienal de Artes Visuais do Mercosul em Porto Alegre - 2000